A primeira questão colocada por Fátima Campos Ferrei‑
ra ao bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF) teve
por base o Centro de Conferências de Facturas e a pos‑
sibilidade de existirem fraudes e irregularidades na área
do medicamento. A resposta de Carlos Maurício Barbosa
foi esclarecedora, chamando a atenção para o facto de
se tratar de uma matéria que tem sido recorrente e acen‑
tuando que, por isso mesmo, chegou a hora de se ser
consequente. E adiantou esperar que o tempo não seja
passado numa suspeição permanente, o que considerou
muito mau para todos os profissionais de saúde, médi‑
cos e farmacêuticos. Aliás, Carlos Maurício Barbosa re‑
feriu ainda, que tudo deixava entender que tais notícias
tenham sido alimentadas com objectivos específicos, o
que considerou muito negativo.
Por isso, acrescentou, “entendo, desde logo, a nossa
missão à frente da OF também como uma salvaguarda
do interesse público e é nessa perspectiva que condena‑
mos veementemente qualquer fraude que possa existir,
pelo que o Estado deve investigar, até às últimas con‑
Bastonário no “Prós e Contras”
Fraudes e crise marcaram o debate
sobre “A Política do Medicamento”
Em finais de Junho, mais precisamente a 27, Carlos Maurício Barbosa foi um dos
convidados do programa Prós e Contras, da RTP 1, conduzido pela jornalista
Fátima Campos Ferreira. Também participaram Jorge Torgal, presidente do
Infarmed, José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, João Cordeiro,
presidente da Associação Nacional das Farmácias, Pedro Lopes, presidente
da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e o economista
Augusto Mateus. Com o tema das fraudes com medicamentos na ordem do
dia, o assunto veio por diversas vezes ao debate, o que abriu caminho para
a discussão de outras matérias relacionadas com a saúde e a despesa com
medicamentos.
sequências, tudo o que eventualmente exista e deixar
de falar em potenciais fraudes, porque isso é alimentar
suspeições”. Salientou ainda Carlos Maurício Barbosa,
falar de “potenciais fraudes todos nós podemos falar;
agora o que é preciso é ter a certeza se elas existem ou
não; se existirem, o Estado tem a obrigação de as iden‑
tificar e, neste caso, terá da parte da OF um aliado para
actuar disciplinarmente em relação a farmacêuticos que,
porventura, se venha a comprovar estarem envolvidos
nesses processos”.
Fátima Campos Ferreira voltou a insistir para saber se,
de alguma forma, o bastonário tinha conhecimento con‑
creto de fraudes, o que justificou desde logo uma ex‑
plicação por parte do responsável de haver alusões a
situações de fraudes mas que nunca foram devidamen‑
te identificadas e clarificadas pelo Estado à OF, sendo
muito importante que esse trabalho seja feito. ”Que se
identifiquem os responsáveis e que se comunique os
factos à Ordem. Só desta forma será possível actuar”,
acrescentou.
“Entendo, desde logo, a nossa missão à frente da OF
também como uma salvaguarda do interesse público e é nessa
perspectiva que condenamos veementemente qualquer fraude
que possa existir”