Outros ângulos
REVISTA DA ORDEM DOS FARMACÊUTICOS
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NÃO DAR PAZ AOMOSQUITO
qui», explicou a responsável pelo programa de
vigilância das doenças vectoriais, na região.
No total, entre 2012 e 2013, foram diagnos-
ticados 2167 casos de Dengue.
O receio é o de que o insecto possa agora
provocar um surto de Zika.
Basta que chegue à ilha algum infetado com
o vírus para que a cadeia de transmissão co-
mece, tal como aconteceu, há quatro anos,
com o Dengue.
O IASaúde tem em marcha um programa
feito com base no Plano Nacional de Preven-
ção de Doenças Transmitidas por Vectores.
O programa está em vigor desde 2012. Além
da responsabilidade quanto às armadilhas,
todos os dias retiradas e inspeccionadas, os
técnicos andam um pouco por toda a ilha
em campanhas de informação e prevenção.
Uma dessas visitas bateu à porta de uma casa
em Santa Luzia. A vivenda chamou a atenção
por ter muitos vasos de flores assentes em
bases para retenção de água. Estes pratos de
barro ou plástico são criadores ideais para as
mosquitas porem os ovos. Durante a visita é
feito aconselhamento para a erradicação de
tudo o que seja propício à propagação do
mosquito: pés de mastros, sargetas, vasos de
flores e fontes de água. A maioria das sargetas
é regularmente lavada com sal e lixívia e mui-
tos pés de mastros (que ajudam a engalanar
as ruas durante os arraiais) foram já tapados.
De volta ao laboratório, encontrámos Bela
Viveiros a inspecionar uma das várias arma-
dilhas recolhidas. Fitas vermelhas de textura
áspera são colocadas nos baldes com pouca
água: estão cheias de ovos de mosquito.
Resistente, o ovo do mosquito pode du-
rar até 456 dias em laboratório e sem água.
No meio ambiente o ciclo começa em ape-
nas 8 dias se houver calor. Para eclodir, o
ovo precisa apenas de umas gotas de água;
transforma-se em pupa, uma espécie de em-
brião, e depois em insecto. O ovo é quase
invisível à vista desarmada, a pupa também.
«Estamos constantemente a monitorizar. Não
Bela Viveiros, Laboratório
de Saúde Pública, Funchal