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REVISTA DA ORDEM DOS FARMACÊUTICOS
longo do corredor, os carrinhos da unidose são,
de novo, conferidos por amostragem antes de
seguirem para a enfermaria. «É mais uma bar-
reira ao erro», sublinha o diretor da farmácia.
Esta verificação é igualmente escrupulosa para
o hospital de dia – onde são tratados cerca de
110 doentes diariamente –, para o de pediatria
– que recebe 20 a 30 crianças – e também para o
serviço de ambulatório – que atende, emmédia,
cinco mil doentes por ano.
Neste último caso, além de validarem todas
as receitas efetuadas por médicos do IPO, os
farmacêuticos tentam perceber se os doentes
tomam outros fármacos que possam com-
prometer a eficácia da quimioterapia. «Por
exemplo, em algumas situações de leucemia
tratadas com medicamentos recentes, há uma
colega que entrevista todos os doentes para
ver o que tomam em casa. E já começámos a
fazer perguntas sobre chás… há medicamen-
tos naturais que travam completamente a ação
dos medicamentos», lembra Melo Gouveia.
“OS MEDICAMENTOS PODEM
MATAR TANTAS PESSOAS
COMO OS ACIDENTES DE AVIAÇÃO”
A produção de citotóxicos é outra tarefa de
extrema importância na farmácia do IPO. Na
unidade de estéreis, de acesso reservado, só se
entra com touca e botas de pano. O protocolo
é ainda mais apertado na sala ao fundo, onde o
pessoal tem de usar fato de proteção integral.
Ali, há cerca de 100 renovações de ar por hora
e uma câmara de fluxo laminar concebida para
SABE QUANTAS VEZES OS PILOTOS VERIFICAM
TUDO ANTES DO AVIÃO LEVANTAR? POR ISSO É
QUE OS ACIDENTES DE AVIAÇÃO SÃO RAROS. OS
ERROS COM MEDICAMENTOS TAMBÉM MATAM,
MAS DE UMA FORMA SILENCIOSA
António Melo Gouveia,
IPO, Lisboa
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