Tema de capa
REVISTA DA ORDEM DOS FARMACÊUTICOS
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da área de análises clínicas e genética humana
– que querem retomar a carreira de outrora.
VALIDAR A TERAPÊUTICA
NO SEU CONJUNTO
Numa manhã de quinta-feira, Melo Gouveia,
que também preside ao colégio da farmácia
hospitalar da Ordem dos Farmacêuticos (OF)
mostra como funciona, neste IPO, o circuito do
medicamento e o papel do farmacêutico em cada
uma das etapas. A validação da prescrição médi-
ca é uma das tarefas cruciais, para mais quando
estão em causa terapêuticas de elevado risco. No
IPO, sete dos 18 farmacêuticos fazem-no quase
em exclusivo. Vera Domingos tem os olhos trei-
nados para ler linhas de prescrição pelo menos
uma vez de manhã e outra à tarde. «Este doen-
te, que tem linfoma, toma 24 medicamentos. O
que fazemos é avaliar a terapêutica no seu todo:
vemos se a dose está correta, se há interações,
validamos alguns medicamentos de justificação
obrigatória», descreve a farmacêutica, de 34 anos,
confessando que esta é a sua área preferida por
conseguir «acompanhar a evolução do doente
ao longo dos seus períodos de internamento».
Todos os anos, são validadas cerca de 800 mil
linhas de prescrição nesta farmácia. O objetivo
é despistar erros de medicação – que não de-
vem ser confundidos com negligência médica,
sublinha Melo Gouveia: «Em regra, os médicos
são extremamente cuidadosos e rigorosos nas
suas prescrições. O que acontece muitas vezes é
que há vários médicos a prescrever para o mes-
mo doente, e nós temos a capacidade de ver o
conjunto: se há medicamentos para o mesmo
efeito ou antibióticos contra a norma da DGS,
por exemplo, sugerimos alterações que geral-
mente são aceites».
A lista de medicamentos a dispensar a cada do-
ente internado, na forma de dose unitária, é de-
pois aviada numa sala ali perto, onde os técnicos
preparam cada uma das gavetas. Alinhados ao