“chamada”? E como encarou também o facto de ter
sido eleito pelos seus pares para presidir ao CNECV?
JLA:
Voltei ao CNECV com todo o gosto, visto ser a
Bioética uma das minhas paixões culturais, embora
não me considere mais que um amador (no sentido
clássico) razoavelmente competente, mas alguém que
reflecte e estuda pois, como gosto de dizer, a ética é
a história das minhas inquietações. Os meus “pares”
honraram‑me ao eleger‑me para Presidente, e esta tem
sido uma tarefa que me entusiasma muito. O meu tra‑
balho é facilitado aliás pela colaboração da nossa Vice
‑Presidente, Professora Doutora Lucília Nunes, e pela
excepcional qualidade da equipa de que disponho.
ROF
: Qual é a sua visão sobre a missão e o papel
do CNECV?
JLA:
A minha visão é um pouco mais ampla do que o
estrito cumprimento da obrigação de emitir pareceres
sobre iniciativas legislativas que possam requerer infor‑
mação ou uma reflexão ética, que é no fundo a princi‑
pal missão do CNECV. Pessoalmente, gostaria de ver o
Conselho mais empenhado num debate alargado com
a sociedade em geral, com as sociedades científicas e
com os cientistas e os cidadãos interessados que nos
comunicam as suas perplexidades e dúvidas. Sempre
que podemos, gostamos de ajudar em pesquisas te‑
máticas ou na selecção bibliográfica. Resultado desse
compromisso de abertura à sociedade são iniciativas
como a que lançamos este ano em parceria com a Fun‑
dação Francisco Manuel dos Santos, uma pequena co‑
lecção de ensaios a que chamámos “Ética para o nosso
tempo”. Estamos ainda a preparar em conjunto com a
“Ciência Viva” uma série de debates públicos que espe‑
ramos que sejam bem participados.
ROF
: Como constata a evolução das Ciências da Vida
nos últimos 20 anos? E como perspectiva o futuro
neste domínio? Que matérias antevê que possam
marcar a acção do CNECV nos próximos anos?
JLA:
O domínio das Ciências da Vida não pára de se ex‑
pandir, e fá‑lo muitas vezes em direcções inesperadas,
surpreendentes até. É importante que a Ética não corra
atrás do progresso científico e tecnológico mas que lhe
acompanhe o passo, de tal modo que a reflexão ética
e moral não seja meramente reactiva, mas coadjuvante
e até prospectiva. Isto foi aliás claramente ilustrado no
João Lobo Antunes foi distinguido com o Prémio Nacio‑
nal de Saúde 2015, anunciou a Direção‑Geral da Saúde
(DGS). O colar em prata dourada alusivo ao prémio será
entregue na cerimónia comemorativa do Dia Mundial da
Saúde, a 7 de Abril.
O júri, composto pelo professor catedrático jubilado da
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Wal‑
ter Oswald, que preside, pelos bastonários das Ordens
dos Farmacêuticos, Médicos e Enfermeiros e pelo presi‑
dente do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, reco‑
nheceu a “notabilíssima e duradoura contribuição para
o desenvolvimento da ciência médica e da neurocirurgia
em Portugal e pelo seu contributo inequívoco para o
prestígio internacional do sistema de saúde português,
ao qual prestou os mais relevantes serviços”.
“Cirurgião reputado, sábio homem da ciência e eticista,
João Lobo Antunes é uma das figuras que mais con‑
tribuiu para o desenvolvimento da ciência médica em
Portugal e é considerado um dos neurocirurgiões mais
conhecidos do mundo”, referiu a DGS na nota de im‑
prensa em que anunciou o vencedor do Prémio Nacio‑
nal de Saúde deste ano.
Este galardão visa distinguir, anualmente, uma persona‑
lidade que tenha contribuído “inequivocamente para a
João Lobo Antunes distinguido com o Prémio Nacional de
Saúde 2015
obtenção de ganhos em saúde ou para o prestígio das
organizações de saúde no âmbito do Serviço Nacional
de Saúde (SNS)”, acrescenta a DGS.
João Lobo Antunes, de 71 anos, licenciou‑se em Medici‑
na pela Universidade de Lisboa com uma média final de
19,47 valores. Professor catedrático de neurocirurgia
da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa,
foi director de serviço de neurocirurgia do Hospital de
Santa Maria, em Lisboa. “Ganhou excelente formação
técnica, reteve a filosofia da profissão, nunca esquecen‑
do os critérios do mérito”, salienta a DGS, adiantando
que se deve a Lobo Antunes “uma vigorosa expansão
de fronteiras institucionais do SNS”, especialmente
com a criação do Instituto de Medicina Molecular.
João Lobo Antunes foi o primeiro médico da história a
implantar um olho eletrónico num cego, um implante
que desde então já foi feito em 15 invisuais, permitindo
‑lhes ver algumas formas e distinguir certas cores.
Foi laureado com vários prémios internacionais e nacio‑
nais, entre os quais se destaca o Prémio Pessoa 1996.
Foi, ainda, distinguido em Portugal com a Medalha de
Mérito, Grau Ouro, do Ministério da Saúde (2003), a Grã
‑Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2004) e a Grã
‑Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago de Espada (2014).