Revista da Ordem dos Farmacêuticos (ROF)
: Foi‑lhe
recentemente atribuído o Prémio Nacional de Saúde.
O que significa para si esta distinção?
João Lobo Antunes (JLA):
Foi certamente uma distinção
que muito me honrou por significar o reconhecimento da
minha devoção pelo Serviço Nacional de Saúde, onde,
como gosto de afirmar, mais me realizei como profissio‑
nal na ciência, no ensino, na prática e na ética.
ROF
: O júri do Prémio considerou que deu uma "nota‑
bilíssima e duradoura contribuição para o desenvolvi‑
mento da ciência médica e da neurocirurgia em Por‑
tugal" e um "contributo inequívoco para o prestígio
internacional do Sistema de Saúde Português". Como
se sente ao ver assim descrita a sua carreira?
JLA:
Quando no final de 1983 regressei a Portugal, era
meu objectivo primário elevar a qualidade técnica dos
cuidados neurocirúrgicos do serviço que vim a dirigir no
Hospital de Santa Maria, a um nível comparável, tan‑
to quanto possível, ao serviço onde trabalhei em Nova
Iorque, no Neurological Institute, integrado no Colum‑
bia Presbyterian Hospital. Entendia que não deveria
ser necessário aos doentes portugueses sair de Por‑
tugal para ser submetidos a cirurgias no estrangeiro.
Creio que o objectivo foi conseguido e o meu serviço
recebeu uma certificação pela European Association of
Neurosurgical Societies, de que fui presidente durante
quatro anos. Creio ter contribuído para prestigiar inter‑
nacionalmente a minha especialidade.
ROF
: Entre outras acções, esteve na génese do Ins‑
tituto de Medicina Molecular (IMM). Quais foram as
suas motivações? Recorde‑nos o início deste projec‑
to. Como se processou o desenvolvimento do IMM,
que é hoje uma referência nacional e internacional?
JLA:
O IMM nasceu há pouco mais de dez anos porque
senti que era necessário articular os laboratórios de
maior qualidade na Faculdade de Medicina de Lisboa
numa única instituição, em que se partilhassem livre‑
mente inteligências, saberes e recursos. Para este pro‑
jecto contribuiu decisivamente a Professora Maria do
Carmo Fonseca, que é certamente a maior responsável
pelo extraordinário sucesso de uma instituição que reu‑
niu uma pletora excepcional de cientistas. Conseguiu
‑se, ao longo destes anos, que o único critério de se‑
lecção dos colaboradores fosse a sua excelência como
investigadores e, naturalmente, teve‑se igualmente em
conta a sua qualidade humana. A minha contribuição
para o nascimento do IMM foi certamente das coisas
melhores que fiz na vida.
ROF
: Foi novamente designado pelo Conselho de Mi‑
nistros para integrar o Conselho Nacional de Ética para
as Ciências da Vida (CNECV). Como encarou esta nova
Entrevista a João Lobo Antunes, presidente do CNECV
“Foi no SNS que mais me realizei como
profissional"
No início de 2015, o prestigiado neurocirugião português, João Lobo Antunes,
voltou ao CNECV, tendo sido eleito pelos seus pares como presidente deste
importante Conselho e, no final do ano, foi distinguido pela DGS com o Pémio
Nacional de Saúde. Com um vasto trabalho realizado em prol do SNS e no
âmbito da investigação científica, entre outras áreas, considera que a Ética
deve acompanhar o progresso científico e tecnológico.
João Lobo Antunes foi distinguido pela DGS com o Prémio
Nacional de Saúde 2015