ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 75

científica. Outrossim, o congresso foi uma mais­‑valia, por‑
que permitiu também uma panorâmica sobre a evolução
da profissão farmacêutica, desde a prática galénica às
mais variadas valências e competências farmacêuticas ac‑
tuais (farmácia comunitária, farmácia hospitalar,
marketing
,
investigação e desenvolvimento, bromatologia, etc.).
2.
A presença do ministro da Saúde no congresso, além
de valorizar o evento e a OF, transmitiu à classe a sua dis‑
ponibilidade de cooperação e apoio à OF na promoção e
regulamentação do exercício da actividade farmacêutica,
bem como em desenvolver políticas que assegurem a sus‑
tentabilidade das farmácias portuguesas face à necessi‑
dade das populações e dos profissionais. Ademais, a sua
presença logo após a sua tomada de posse, confirma a im‑
portância que a profissão farmacêutica impõe no que con‑
cerne à prestação de serviços de saúde a todos os níveis,
sem esquecer que uma fatia considerável do orçamento
para os gastos em saúde, é alocada aos medicamentos
e dispositivos médicos. Tendo dito isto, o ministro teve a
oportunidade de ver em primeira mão o universo de farma‑
cêuticos e futuros farmacêuticos dispostos a lutar a seu
lado, e não contra ele, na defesa da profissão farmacêutica
e em prol da saúde dos portugueses, e não só.
3.
O discurso de abertura do bastonário da OF de Por‑
tugal foi excelente e oportuno, pela exposição clara dos
objectivos da OF em toda a cadeia do medicamento,
da necessidade de maior atenção do Governo e da sua
intervenção na prevenção da saúde dos portugueses.
Ficou bastante claro que o bastonário possui uma visão
real dos problemas enfrentados pela classe em Portu‑
gal, sem esquecer a grande contribuição que os farma‑
cêuticos podem prestar a nível da promoção da saúde
e prevenção da doença.
O farmacêutico deixou de ser o dispensador de comprimi‑
dos e passou a ser parte fundamental da equipa de saú‑
de, responsável pelo bem­‑estar do paciente/cliente, pelo
que compete a cada um dos profissionais farmacêuticos
procurar a constante actualização de conhecimentos.
1.
Tratou­‑se de um excelente
Congresso em que foi equacio‑
nado o papel do farmacêutico
no sistema de saúde, indepen‑
dentemente da actividade pro‑
fissional em que se encontra
envolvido. Numa época de pro‑
fundas alterações demográfi‑
cas com o envelhecimento da
população, com o acentuar da
prevalência de patologias crónicas, quase sempre asso‑
ciadas a um incremento da polimedicamentação, com a
implementação de estilos de vida nem sempre saudá‑
veis, com a evolução da Ciência e da Tecnologia, tudo
isto acompanhado do crescimento da despesa em Saú‑
de, muitas vezes em rota de colisão com o crescimento
económico do cidadão e do País, o papel desempenha‑
do pelo farmacêutico é cada vez mais importante. Este
congresso serviu para o demonstrar.
2.
Tendo em conta todas as vicissitudes e as enormes
dificuldades impostas à profissão farmacêutica nos úl‑
timos anos, no sentido de diminuir a despesa pública
na área do Medicamento, penso que a presença do mi‑
nistro no congresso na sua primeira aparição em actos
oficiais constituiu o reconhecimento por parte da Tute‑
la, não só da resiliência do farmacêutico face às dificul‑
dades que lhe foram impostas, mas também do papel
do farmacêutico, enquanto profissional de saúde mais
próximo dos utentes, na prestação de Cuidados de saú‑
de e na sustentabilidade do SNS.
3.
Em minha opinião, tratou­‑se de um longo discurso,
muito bem estruturado e com objectivos muito defini‑
dos. O bastonário focou: i) as razões da crise que afetou
nos últimos anos a profissão farmacêutica e as suas con‑
sequências no presente e no futuro; ii) o papel desempe‑
nhado pelos farmacêuticos na área da Saúde nos vários
domínios em que desenvolvem a sua actividade; iii) as
vantagens, para a comunidade e para a sustentabilidade
do SNS, que poderão advir, no futuro, pela atribuição ao
farmacêutico, sobretudo o da Farmácia Comunitária, de
novas competências na área da prestação de cuidados
de saúde e numa intervenção mais activa e participada
na renovação da terapêutica instituída e na monitoriza‑
ção regular e na estabilização de doentes crónicos; iv) a
actividade de Investigação desenvolvida pelos farmacêu‑
ticos que tem estado na base de medicamentos inova‑
dores, na descoberta de novos biomarcadores de diag‑
nóstico, prognóstico e monitorização terapêutica, bem
como do uso racional do medicamento.
Penso que foi patente no seu discurso o profundo re‑
conhecimento do esforço desenvolvido por todos os
Farmacêuticos em prol da Saúde, dos cidadãos e do de‑
senvolvimento da economia do País.
1.
Todas as iniciativas promoto‑
ras de debate da Saúde dignifi‑
cam a área e merecem, obvia‑
mente, a nossa atenção. O Con‑
gresso Nacional dos Farmacêuti‑
cos não é excepção e insere­‑se
nas acções que aproximam os
demais agentes da Saúde. Os
mais de 1.500 participantes no
Matilde Castro
Directora da FFUL
João Almeida Lopes
Presidente da Apifarma
1...,65,66,67,68,69,70,71,72,73,74 76,77,78,79,80,81,82,83,84,85,...196
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