ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 52

As Conferências de Abertura e de Encerramento do
CongressoNacionaldosFarmacêuticos'2015(CNF'2015)
foramproferidas por Walter Osswald e Luís Filipe Pereira
e tiveram como
chairman
o primeiro bastonáro da
Ordem dos Farmacêuticos, Francisco Carvalho Guerra.
REFLECTINDO SOBRE O MEDICAMENTO
Numa intervenção intitulada “Sobre a Ética do Medica‑
mento – Uma Reflexão”, Walter Osswald defendeu um
“maior escrutínio das relações entre a Indústria Farma‑
cêutica e as instituições de investigação que desenvol‑
vem medicamentos” e uma nova política de preços pra‑
ticados pelas empresas farmacêuticas, como forma de
alterar uma conotação negativa que estas companhias
têm junto do público em geral.
Este professor catedrático jubilado da Faculdade de
Medicina da Universidade do Porto realizou uma breve
revisão sobre os problemas éticos associados ao medi‑
camento, começando por referir que “os farmacêuticos
são, por natureza, os peritos no medicamento. A eles
compete a sua produção, a garantia e controlo da quali‑
dade e vigiar a sua utilização”. Por outro lado, acrescen‑
tou, “o medicamento é, muitas vezes, a maior esperança
dos doentes”, o que faz com que tenha um valor simbóli‑
co enorme e que seja “extramente importante do ponto
de vista social, mas também económico e político”.
Ao longo desta Conferência de Abertura do CNF'2015,
Walter Osswald referiu­‑se a diferentes questões éticas
relacionadas com a produção de medicamentos, a sua
promoção e com a política de preços. Neste caso parti‑
cular, recordou que “a Indústria Farmacêutica goza, por
culpa própria, de uma má imagem junto da população”,
o que considera desajustado, tendo em conta a sua
relevância para a qualidade de vida das pessoas e os
contributos que deu nos últimos anos para o aumento
da esperança média de vida. No entanto, considera que
Conferências de Abertura e Encerramento do Congresso
Ética do medicamento na abertura e
reforma da Saúde no encerramento
AOF convidouduas prestigiadas personalidades paraproferiremas conferências
de Abertura e Encerramento do CNF'2015. Walter Osswald, coordenador da
Cátedra UNESCO em Bioética da Universidade Católica Portuguesa, abordou
a temática da ética no sector do medicamento; Luís Filipe Pereira, ministro da
Saúde entre 2002 e 2005, apresentou a sua visão sobre a reforma estrutural
do sistema de saúde.
tal percepção se deve aos “preços assustadores pratica‑
dos em terapêuticas que podem salvar as vidas das pes‑
soas”. O coordenador da Cátedra UNESCO em Bioética
da Universidade Católica Portuguesa (UCP) deu como
exemplo o facto de “os médicos não cobrarem mais pelo
tratamento dos doentes em função da sua patologia”,
um princípio, que, defende, deveria ser também adopta‑
do pela Indústria na definição da sua política de preços,
pois, no seu entender, nada justifica que se pratiquem
preços mais altos para patologias raras ou terapêuticas
inovadoras do que aqueles que são praticados nas si‑
tuações mais comuns.
“A Indústria Farmacêutica tem de se convencer que a
política de preços que tem vindo a adoptar é um cami‑
nho errado”, referiu. “E tem de estar consciente da sua
importância para a sociedade, algo que é reconhecido
por todos”, rematou.
Francisco Carvalho Guerra foi o
chairman
das conferências
de abertura e de encerramento
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