ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 44

Revista da Ordem dos Farmacêuticos (ROF):
Que signifi‑
cado atribuiu a esta distinção da Ordem dos Farmacêu‑
ticos (OF)?
João Cordeiro (JC):
Tem, obviamente, um enorme sig‑
nificado para mim. Sou farmacêutico, reconheço a Or‑
dem como o organismo responsável pela profissão
farmacêutica e, no fundo, de defesa dos farmacêuticos
e, como tal, foi para mim uma honra muito grande ser
alvo deste reconhecimento por parte quer do bastoná‑
rio, quer da Direcção Nacional.
Considero, no entanto, que esta distinção, pessoal, é
também o reconhecimento do papel que a Associação
Nacional das Farmácias (ANF) teve ao longo destes últi‑
mos 40 anos. Apesar de algumas “tensões” que se ver‑
ficaram entre a Ordem e a associação ao longo destes
anos, nunca tive dúvidas, nem os restantes elementos
da direcção da associação tiveram, de que a OF é a enti‑
dade que representa a profissão farmacêutica no nosso
País. Sempre acreditámos, contudo, que a existência
de estruturas profissionais, a desenvolver projectos de
carácter profissional, seria enriquecedora para o univer‑
so da profissão e seria uma forma de realçar o papel do
farmacêutico na sociedade.
ROF
: Sente que o seu percurso profissional foi de algum
modo importante para o prestígio, para a dignificação e
para o desenvolvimento da profissão farmacêutica?
JC:
No fundo, esta distinção resulta do facto de ter es‑
tado durante vários anos à frente da ANF e de que o
trabalho desenvolvido durante esse período foi positivo
para a actividade farmacêutica, para a profissão farma‑
cêutica, e, em último caso, para os farmacêuticos que
trabalham em farmácia de oficina.
No entanto, este trabalho não é obra de um indivíduo. É
o resultado de um trabalho de equipas de colegas que
me acompanharam nas diferentes direcções e de um
grupo de profissionais de grande qualidade e gabarito e
muito dedicado à associação e à defesa dos interesses
da farmácia de oficina em Portugal.
Para mim, mais importante que o reconhecimento dos
políticos sobre a evolução do sector e sobre os méritos
deste trabalho em prol da farmácia é o reconhecimento
das populações. E, hoje, não há dúvidas nenhumas da
credibilidade e confiança que os farmacêuticos gozam
junto da população. Esse é um activo muito importante
que temos de manter e, se possível, reforçar nos tem‑
pos futuros.
Reconheço que a associação, possivelmente através
do meu trabalho e dos colegas que me acompanharam,
contribuiu para atingir esses objectivos.
ROF
: Que comentário lhe merece a evolução que a pro‑
fissão tem sido alvo nos últimos anos?
JC:
Estes últimos anos, desde que saí da associação,
continuaram a ser marcados por um período de conten‑
ção excessiva na despesa dos medicamentos, obrigan‑
do o sector das farmácias a um esforço perfeitamente
inaceitável. É por isso urgente que seja reanalisada a
situação económica do sector. Existem estudos sérios
e aprofundados sobre esta realidade e é fundamental
que o poder político promova um reequilíbrio da econo‑
mia das farmácias.
Sei que há muitas farmácias em sofrimento e não gos‑
taria de assistir uma degração dos recursos humanos
quer em qualidade, quer em quantidade.
Tenho esperança que, ultrapassada a fase mais crítica
da situação económica e financeira do país, o poder po‑
lítico tenha a capacidade, com seriedade e bom senso,
de encarar os actuais problemas económicos das far‑
mácias.
Por outro lado, em termos profissionais as farmácias
criaram uma dinâmica imparável, assumindo­‑se e dispo‑
nibilizando cada vez mais serviços que geram benefícios
para o Estado e para as pessoas. Hoje temos muita
gente nova a trabalhar nas farmácias, profissionais qua‑
lificados que estão disponíveis para assumir mais res‑
ponsabilidade e novas responsabilidades, como aliás o
bastonário tem vindo a reivindicar, contribuindo assim
para gerar poupanças importantes e evitar o desperdí‑
cio que neste momento existe.
Nesta matéria, a evolução da profissão farmacêutica
deixa­‑me tranquilo. Vejo uma grande vontade das es‑
truturas farmacêuticas em participar e estou conven‑
cido que, se houver compreensão do poder político, o
desenvolvimento que se verificou nos últimos anos se
vai manter nos próximos.
Em 2012, levou a cabo a ação de sensibilização “Farmá‑
cia de Luto”, um movimento solidário que reuniu mais
de 324 mil assinaturas contra as alterações introduzi‑
das pelo Governo na política do medicamento, configu‑
rou a maior petição da democracia portuguesa.
São também de marcada relevância as distinções e re‑
conhecimentos à sua actividade profissional como são
exemplos o Prémio Almofariz “Figura do Ano” em 1996,
Medalha de Honra da Ordem dos Farmacêuticos em
2011 e Prémio Almofariz Especial “Carreira” em 2013.
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