ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 43

que confere elevado nível de auto­‑estima e de satisfa‑
ção técnico­‑científica, mas que carece, no plano oficial,
de uma carreira própria que já teve e que continua a ser
adiada de governo em governo.
Gostaria de deixar dito que estas perspectivas pouco
animadoras são fruto de uma conjugação de factores
que não são independentes da situação económica ge‑
ral na Europa e no nosso país e que, por isso, tenho
confiança numa retoma segura do nível que em tempos
já atingimos. Também acho que as estratégias postas
em prática para o desenvolvimento da profissão não fo‑
ram suficientemente lúcidas e abrangentes, enferman‑
do de uma atitude endógena e pouco interactiva com o
mundo exterior (político, social, profissional).
Finalmente tenho constatado que o farmacêutico, tal
como sai preparado pelas nossas escolas, tem uma
grande capacidade de enfrentamento competente dos
desafios que lhe são colocados, fruto de um ensino
de banda larga com uma forte componente técnico­
‑científica.
Por isso, apesar da actual situação pontual, mantenho
um forte espírito optimista em relação ao nosso futuro.
TÍTULO DE OUTORGA
A Direcção Nacional da Ordem dos Farmacêuticos,
em reunião realizada em 17 de Outubro de 2015, e
nos termos do nº 1 da cláusula 2ª do Regulamento
de Atribuição de Distinções da Ordem dos Farma‑
cêuticos, deliberou por unanimidade atribuir a João
Carlos Lombo da Silva Cordeiro a
Medalha de Ouro
da Ordem dos Farmacêuticos
, pela sua acção ex‑
traordinária no plano profissional, com particular
destaque e reconhecido mérito na valorização e
progresso da Farmácia Comunitária portuguesa e
ainda pela grande dedicação à profissão farmacêu‑
tica, pelo seu elevado mérito e por ter contribuído
de modo extraordinário para a valorização da activi‑
dade farmacêutica no seio da sociedade.
JOÃO CARLOS LOMBO DA SILVA CORDEIRO
Nota biográfica
É licenciado em Farmácia, desde 1969, pela Faculdade
de Farmácia da Universidade do Porto, e foi presidente
da direção da Associação de Estudantes da respectiva
instituição, entre 1968 e 1969.
Em 1975 fundou a Associação Nacional das Farmá‑
cias (ANF), que sucedeu formalmente ao Grémio Na‑
cional das Farmácias. Foi presidente da direcção da
ANF durante 32 anos sucessivos, cargo que deixou
em 2013. Durante o período de presidência da ANF,
liderou os processos que criaram, entre outros, o La‑
boratório de Estudos Farmacêuticos, a Consiste (ac‑
tual Glintt), a Escola de Pós‑graduação em Saúde e
Gestão, a Finanfarma, o Programa Farmácias Portu‑
guesas e o Museu da Farmácia – o único de história
universal da saúde existente no país e um dos dois
existentes no mundo.
João Cordeiro teve também um relevante papel no es‑
tabelecimento e expansão no Programa de Troca de
Seringas, no âmbito do combate ao VIH/sida. Além
deste programa, promoveu a participação das farmá‑
cias em inúmeras campanhas de educação e promoção
para a saúde em diferentes áreas de actuação como
são exemplos a prevenção rodoviária – no contexto da
condução sobre a influência de medicamentos – a ces‑
sação tabágica, a obesidade e o risco cardiovascular.
Também sobre a sua égide, fomentou o envolvimen‑
to das farmácias noutros programas de intervenção
farmacêutica a nível nacional em diferentes âmbitos,
estando entre eles a substituição narcótica, a vacina‑
ção contra a gripe, o controlo da diabetes, hipertensão
arterial, dislipidemia, asma e doença pulmonar obstru‑
tiva Crónica.
A sua principal missiva prendeu­‑se com a capacitação
das farmácias de novas competências que tornaram o
sector mais independente e competitivo e o seu envol‑
vimento em projectos cada vez mais inovadores.
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