ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 131

Elevado estado de degradação não oferece condições de segurança
FFUL encerra edifício alocado ao
Departamento de Farmácia Galénica e
Tecnologia Farmacêutica
A Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa
(FFUL) mandou encerrar um dos seus edifícios, aloca‑
do ao Departamento de Farmácia Galénica e Tecnologia
Farmacêutica, após alguns alunos, funcionários e pro‑
fessores terem apresentado sintomas de intoxicação,
que podem ter tido origem na exposição a químicos
como resultado de uma recolha de resíduos realizada
alguns dias antes.
“Houve uma recolha de resíduos numa cave do edifício,
por uma empresa especializada e, após a recolha dos
resíduos, houve uma aluna de doutoramento, alguns
professores e uma funcionária que apresentaram al‑
guns sinais que, eventualmente, poderão estar relacio‑
nados com a exposição a químicos”, explicou na altura
a directora da FFUL, Matilde Castro, em declarações à
agência Lusa.
As análises realizadas posteriormente revelaram a pre‑
sença de mercúrio em várias amostras do chão e do
reboco das paredes da cave, bem como em amostras
de ar recolhidas em várias zonas do edifício.
O edifício E mantém­‑se por isso encerrado, sem que
exista ainda uma data que a situação fique resolvida. O
ensino laboratorial das disciplinas de Farmácia Galénica
e Tecnologia Farmacêutica foi suspenso, estando pre‑
vista uma alteração programática extraordinária para o
segundo semestre do corrente ano lectivo.
MATILDE CASTRO
directora da FFUL
Revista da Ordem dos Farmacêuticos (ROF)
: O que
motivou o encerramento edifício E da Faculdade de
Farmácia da Uniersidade de Lisboa (FFUL) e que des‑
tino será dado aquele espaço? Quais os planos da Fa‑
culdade para a recuperação do espaço?
Matilde Castro (MC):
No passado dia 28 de setembro
foram retirados da cave do Edifício E da FFUL, edifí‑
cio alocado ao Departamento de Farmácia Galénica e
Tecnologia Farmacêutica, reagentes químicos que aí se
encontravam armazenados, alguns de reconhecida toxi‑
cidade. Essa operação foi efectuada por uma empresa
especializada e decorreu com aparente normalidade.
Contudo, alguns dias após essa remoção de resíduos
uma aluna de doutoramento, uma docente e duas téc‑
nicas superiores apresentaram sinais clínicos preocu‑
pantes de eritema, náuseas e tonturas. Face à hipótese
desses sintomas poderem, eventualmente, estar asso‑
ciados a toxicidade química, ordenou­‑se o fecho, provi‑
sório, do edifício.
No dia 7 de Outubro uma unidade militar especializa‑
da foi chamada a intervir para fazer a descontaminação
química da cave. Durante essa operação foram recolhi‑
das para análise várias amostras do chão e do reboco
das paredes da cave, as quais revelaram a presença de
mercúrio (Hg). Posteriormente, foi igualmente detetado
Hg em amostras de ar recolhidas em várias zonas do
edifício.
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