ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 129

Relatório “Portugal em números 2015 – Infecção VIH, SIDA e Tuberculose"
VIH/sida e tuberculose podem deixar de ser
ameaça em saúde pública
A Direcção­‑Geral da Saúde (DGS) publicou o relatório
“Portugal em números 2015 – Infecção VIH, SIDA e
Tuberculose”, no qual são apresentados alguns indi‑
cadores sobre a prevalência destas doenças no nosso
País. O documento revela uma diminuição do número
de novos casos de infecção por VIH e óbitos associa‑
dos à doença, bem como uma diminuição da incidência
da tuberculose em Portugal. Para os autores, “não será
utópico pensar que, em 2030,” estas duas doenças dei‑
xem der consideradas “uma ameaça de saúde pública”.
De acordo com o relatório da DGS, o número de no‑
vos casos de infeção por VIH voltou a descer em 2014,
acentuando­‑se a tendência de decréscimo já observada
no ano anterior (menos 17,3 por cento, em relação a
2013). Este decréscimo do número de novos casos no‑
tificados foi acompanhado pela descida do número de
novos casos de sida (­‑11,6 por cento), bem como de
óbitos associados ao VIH (­‑14,5 por cento). O registo
de novos casos de infecção por VIH manteve uma dis‑
tribuição geográfica desigual, tendo as áreas metropoli‑
tanas de Lisboa, Porto e Algarve concentrado 68,5 por
cento do total de casos notificados.
A transmissão da infecção no grupo de Homens que
têm Sexo com Homens (HSH) revela, novamente,
tendência de acréscimo (31,8 por cento), enquanto a
transmissão em Utilizadores de Drogas Injetáveis (UDI)
voltou a regredir, tendo sido inferior a 4 por cento dos
casos notificados, o que coloca Portugal abaixo da mé‑
dia observada nos países da União Europeia (UE).
O relatório demonstra ainda que o diagnóstico da in‑
fecção está a ser efetuado mais cedo (a proporção de
diagnósticos tardios situa­‑se agora em 49,1 por cento),
tendo atingido valores comparáveis com outros países
da UE. Em 2014, iniciou­‑se a realização de testes rápi‑
dos de diagnóstico nos cuidados de saúde primários,
demonstrando a pertinência do reforço dos programas
de diagnóstico precoce.
No que se refere à tuberculose, sublinha­‑se a diminui‑
ção da incidência da doença em Portugal, atingindo, em
2014, o limiar de 20 casos por 100 mil habitantes, tra‑
duzindo uma redução de cerca de 5 por cento da taxa
de notificação e de incidência entre 2013 e 2014. No
total, foram notificados 2.264 casos de tuberculose, dos
quais 2.080 eram casos novos. Apesar da diminuição ob‑
servada na incidência da doença, o número de casos de
tuberculose é ainda elevado. No entanto, a proporção de
doentes que fazem tratamento preventivo no contexto
de comorbilidade por VIH é ainda reduzida, particular‑
mente tendo em consideração que Portugal apresenta
uma taxa elevada de coinfeção tuberculose/VIH.
O relatório salienta o sucesso terapêutico das formas
multirresistentes, o que traduz já o efeito da centra‑
lização destes casos em centros de referência para a
tuberculose multirresistente. Os autores consideram,
no entanto, que o tempo entre o início de sintomas e o
diagnóstico, em média, de 104 dias, é “inaceitavelmen‑
te longo”. Esta demora existe “apesar de os métodos
de diagnóstico serem cada vez mais rápidos”, lê­‑se no
documento, recomendando um aumento “da suspeição
nas comunidades de maior risco, entre os profissionais
de saúde e melhorando o acesso a serviços de tubercu‑
lose (centros de diagnóstico de tuberculose ou consul‑
tas de tuberculose)”.
O Relatório “Portugal em números 2015 – Infecção VIH,
SIDA e Tuberculose” apresenta também os dados relati‑
vamente à distribuição de seringas através do Programa
“Diz não a uma seringa em 2ª mão”, entre 2009 e 2014.
O programa esteve suspenso nas farmácias nos anos de
2013 e 2014.
Programa “Diz Não a uma
Seringa em 2ª Mão”
Fonte: Relatório Anual do Programa Diz Não a uma Seringa em Segunda Mão – SPMS e ANF, 2012
Institui‑
ções
N.º seringas recolhidas
N.º Instituições
Aderentes
N.º
seringas
recolhidas
Farmácias ONG/OG Posto
móvel
Farmácias ONG/OG
2010 2.660.000 886.918 1.1.63.175 7.404 1336
45
2011 1.210.000 672.602 928.302 50.047 1267
43
2012 1.086.400 494.757 807.959 38.994 1224
39
Institui‑
ções
N.º seringas recolhidas
N.º Instituições
Aderentes
Cuidados
de saúde
primários
(ACES/
ULS)
ONG/OG Posto
móvel
Total
Farmácias ONG/
OG
Posto
móvel
2013 28.694 899.662 22.296 950.652 49
35 1
2014 301.578 1.347.644 28.107 1.677.329 49
35 1
1...,119,120,121,122,123,124,125,126,127,128 130,131,132,133,134,135,136,137,138,139,...196
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