ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 128

Antibioterapia nas infecções urinárias
Laboratório de análises clínicas estudou
susceptibilidade de microorganismos
O Laboratório de Análises Clínicas Prof. Doutor Nunes
de Oliveira publicou os dados obtidos em 2013 relati‑
vamente aos uropatogénicos isolados e os seus perfis
de sensibilidade a diferentes antibióticos. Este estudo
teve por base as uroculturas realizadas a utentes resi‑
dentes em lares de terceira idade ou de cuidados con‑
tinuados nos concelhos da Póvoa do Varzim, Vila do
Conde, Esposende e Barcelos.
Em Portugal, as infecções do trato urinário são a segun‑
da patologia infecciosa mais prevalente na comunidade,
logo após as infecções do trato respiratório. O seu diag‑
nóstico só é confirmado através da realização de uro‑
culturas e o uso da terapêutica empírica está recomen‑
dado para as infecções não complicadas, com base na
história clínica e na sintomatologia do doente. A esco‑
lha do tratamento nestas infecções constitui, por isso,
um desafio permanente, sendo importante conhecer os
padrões de sensibilidade aos antibióticos dos principais
uropatogéneos e assim evitar o aparecimento de novas
resistências. A Direcção­‑Geral da Saúde aconselha os
clínicos a orientar o tratamento empírico em função dos
dados etiológicos e do padrão de sensibilidade prove‑
nientes do laboratório de bacteriologia de referência.
Foi, portanto, nesta sequência que o Laboratório de
Análises Clínicas Prof. Doutor Nunes de Oliveira realizou
este estudo, procurando assim contribuir para um maior
conhecimento da frequência e prevalência dos agentes
microbianos e seus perfis de sensibilidade e para uma
maior adequação do tratamento nas infecções do trato
urinário e, por consequência, a redução da resistência
dos microrganismos.
Os resultados apurados confirmam que os agentes
mais frequentes pertencem à família das enterobacte‑
riaceae, tais como a
E. coli
,
K. pneumoniae
e
P. mirabilis
,
sendo estes dois últimos de menor frequência. Entre as
bactérias gram­‑positivas, as mais frequentes são a
S.
saprophyticus
e
E. faecalis
. No seu conjunto, os cinco
microrganismos cujos perfis de susceptibilidade foram
analisados neste estudo representam 85 por cento
dos agentes isolados em infecções urinárias no ano de
2013.
Os dados obtidos por este estudo permitem também
perceber que os antibióticos podem ser mais eficazes
nos tratamentos empíricos e nos tratamentos dirigi‑
dos, bem como quais os antibióticos que devem ser
usados com maior precaução ou mesmo ser elimina‑
dos. Partindo do princípio que a utilização empírica de
um antibiótico deve apenas ocorrer quando a sensibi‑
lidade da bactéria é superior a 80 por cento, o estudo
apresenta o perfil de suscetibilidade para os cinco mi‑
crorganismos, emitindo algumas recomendações sobre
a sua utilização.
Microrganismos ID em urinas +
E. coli
– 56%
E. faecalis
– 13%
K. pneumoniae
– 7%
P. mirabilis
– 7%
S. saprophyticus
– 2%
Outros – 15%
Outros
15%
S. saprophyticus
2%
P. mirabilis
7%
K. pneumoniae
7%
E. faecalis
13%
E. coli
56%
Fonte: Laboratório de Análises Clínicas Prof. Doutor Nunes de Oliveira
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