ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 124

Dados divulgados pela IMS Health no Dia Europeu dos Antibióticos
Prescrição de antibióticos diminuiu nos
últimos quatro anos
De acordo com a consultora IMS Health, o consumo de
antibióticos em Portugal tem vindo a baixar desde 2010.
No entanto, nos primeiros dez meses de 2015, foram
dispensados nas farmácias mais de sete milhões de em‑
balagens destes medicamentos. Segundo os dados reve‑
lados pela agência Lusa, a dispensa de antibióticos nas
farmácias baixou de 9.357.411 embalagens em 2010
para 8.085.314 embalagens em 2014. Em 2011 foram
dispensadas 9.027.784 embalagens, 8.683.232 em
2012 e 8.539.400 em 2013 e entre janeiro e outubro
deste ano, foram dispensadas 7.138.113 embalagens.
Em termos de valores, em 2010 as vendas totaliza‑
ram 70.947.104 euros, 61.489.588 euros em 2011,
50.387.993 euros em 2012, 45.057.852 euros em
2013 e 42.547.917 euros em 2014. Nos primeiros dez
meses deste ano, foram dispensados antibióticos no
valor de 36.959.445 euros.
O Dia Europeu dos Antibióticos, assinalado a 18 de
Novembro, assumiu­‑se como uma nova oportunidade
para as autoridades nacionais e internacionais reforça‑
rem a problemática das resistências antimicrobianas. A
directora­‑geral da Organização Mundial da Saúde (OMS),
Margaret Chan, revelou que a resistência “atinge níveis
perigosamente elevados em todas as partes do mundo”.
Segundo um inquérito realizado pela OMS em 12 países,
metade das pessoas pensa que a resistência aos anti‑
bióticos é um problema das pessoas que abusam dos
antibióticos e dois terços julgam que não existe qualquer
risco de resistência aos medicamentos nas pessoas que
utilizem correctamente o tratamento antibiótico que lhes
é prescrito.
A resistência aos antibióticos ocorre quando as bactérias
evoluem e se tornam resistentes aos antibióticos utiliza‑
dos para tratar as infecções, explica a OMS, acrescen‑
tando que este flagelo mundial é sobretudo devido ao
consumo excessivo de antibióticos e à sua má utilização.
DGS estudou infecções nas unidades de cuidados continuados
A Direcção­‑Geral da Saúde, através do Programa de
Prevenção e Controlo de Infecções e de Resistência aos
Antimicrobianos, divulgou os resultados do estudo na‑
cional sobre as Infecções Associadas aos Cuidados de
Saúde (IACS) nas Unidades de Cuidados Continuados
(UCC), uma iniciativa inserida no projecto europeu pro‑
movido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo
das Doenças (ECDC), com o objectivo de conhecer a pre‑
valência europeia de IACS e do uso de antimicrobianos
e ainda os respetivos indicadores de processo e estru‑
turas de prevenção e controlo de infecção nas UCC.
Em Portugal, o trabalho de campo foi realizado em Maio
de 2013, abrangendo 143 UCC com 3.043 residentes,
sendo 40,5 por cento homens e 59,5 por cento mulhe‑
res. O relatório divulgado pela DGS em Novembro des‑
te ano, esclarece que a população estudada pode ser
caracterizada como sendo idosa, com limitações físicas
e cognitivas importantes, e com um número apreciável
(cerca de 30 por cento) dos residentes a apresentarem
feridas, sendo metade destas úlceras de pressão.
De acordo com os resultados apurados, foi assinalada
a presença de uma IACS em 317 residentes, o que cor‑
responde a uma prevalência de doentes com infeção
de 10,4 por cento, e um total de 344 infecções (pre‑
valência de infecções de 11,3 por cento). Observou­‑se
um predomínio de infecções das vias urinárias, sendo
17,5 por cento infecções confirmadas e 20 por cento
infeções prováveis. Seguiram­‑se as infecções da pele e
tecidos moles (26,2 por cento) e infecções respiratórias
(21,2 por cento). Foram prescritos 311 antimicrobianos
a 289 residentes (prevalência de 9,5 por cento) com
uma média de 1,1 antimicrobianos por residente – 21
residentes tinham uma prescrição de dois antimicrobia‑
nos e um residente estava a tomar três antimicrobia‑
nos. Os antimicrobianos foram maioritariamente pres‑
critos pelo médico da unidade, tendo a prescrição sido
hospitalar em 17 por cento nos residentes e por um
especialista em 16,7 por cento dos casos.
O estudo evidenciou ainda a inexistência de um profis‑
sional de saúde responsável pela organização das ati‑
vidades de prevenção e controlo das infecções e resis‑
tências aos antimicrobianos, o que constituiu umas das
recomendações emitidas pela DGS no âmbito deste
trabalho. Para a autoridade de saúde, as taxas relativa‑
mente elevadas de prevalência de IACS, tornam neces‑
sário o desenvolvimento de boas práticas de prevenção
de transmissão, nomeadamente em relação às infeções
mais frequentes –urinárias e feridas crónicas.
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