Novo ministro da Saúde e bastonário da OF estiveram no Congresso da OM
Clínicos querem colocar a discussão sobre o
acto médico na agenda política
A Ordem dos Médicos (OM) organizou, entre os dias 26
e 28 de Novembro, no Centro de Cultura e Congressos
da Secção Regional do Norte, no Porto, o seu congres‑
so institucional – XVIII Congresso Nacional de Medicina
e IX Congresso Nacional do Médico Interno –, sob o
tema “Acto médico – dos médicos, pelos doentes”, um
evento que contou com a presença do bastonário da
Ordem dos Farmacêuticos na Sessão de Abertura e na
Conferência proferida pelo cardeal patriarca de Lisboa,
D. Manuel Clemente, sobre “A conflitualidade dos tem‑
pos modernos e o poder decisório individual”.
Presente no encerramento, o novo ministro da Saúde,
Adalberto Campos Fernandes, solicitou a colaboração
dos médicos portugueses na defesa do Serviço Nacio‑
nal de Saúde (SNS) e de uma medicina de qualidade. “À
volta de uma mesa numa discussão, a discussão termi‑
nará sempre e só quando nos entendermos sobre uma
coisa: qual é o interesse público. Nós todos estamos
orientados para servir uma coisa só. O interesse público
e os nossos interesses são secundários”, advertiu o mi‑
nistro sobre um sector com “muitas corporações, com
muita pressão”, dizendo que se tem de estar ao “servi‑
ço dos doentes” e da “dignidade humana”. O governan‑
te assegurou uma actuação da equipa do Ministério da
Saúde “sem crispação, num diálogo que procure fazer
uma construção de um caminho onde naturalmente te‑
remos de ser resilientes perante as adversidades, tere‑
mos que assumir com humildade os erros”.
Adalberto Campos Fernandes declarou também que
“a ideia de que o SNS de qualidade constitui um pré
‑requisito fundamental para uma sociedade mais justa e
mais equilibrada. Estamos por isso convictos da neces‑
sidade de conjugar esforços com todos os profissionais
de saúde (…), bem como da importância de gerar con‑
vergência nas iniciativas apenas com um objectivo mui‑
to simples: dar um fôlego às aspirações das pessoas,
valorizar os seus direitos e dando oportunidade de que
possam realizar as suas expectativas”.
O ministro sublinhou ainda que o SNS “é a grande con‑
quista dos portugueses e da democracia portuguesa”
e argumentou que se tinha de “inverter a situação e
recuperar a confiança dos portugueses”. Sobre as li‑
nhas programáticas para a Saúde, deixou explicações
para após a aprovação do programa do Governo pela
Assembleia da República, adiantando, contudo, “os ob‑
jectivos de defesa do SNS que nós temos proclamado
na retórica e na escrita ao longo dos últimos anos, e de
defesa de promoção de saúde, integram um importante
capítulo no programa do Governo, relativo àquilo que
nós chamamos prioridade às pessoas”, disse, garantin‑
do que “ao longo da legislatura” vai ser esse “o traço
identitário da acção governativa”.
O bastonário da OF esteve presente na abertura do congresso dos médicos