ROF n.º117 Out/Dez 2015 - page 106

JOANA CARVALHO
presidente da Associação Cura+
Revista da Ordem dos Farmacêuticos (ROF)
: Em que
consiste o projecto “Cura+”?
Joana Carvalho (JC):
A Associação de voluntariado far‑
macêutico Cura+ surgiu da necessidade de dar resposta
a um problema emergente na sociedade portuguesa: há
cada vez mais indivíduos e famílias que não conseguem
aceder à medicação de que carecem, neste caso, sujeita
a receita médica, por razões económicas. Para tal, os
utentes beneficiários serão devidamente referenciados
por uma Instituição Particular de Solidariedade Social
(IPSS) que procede à elaboração de uma lista com os
medicamentos necessários que será posteriormente
enviada para a farmácia aderente. Nestas farmácias, os
voluntários da Associação Cura+ abordarão os utentes
solidários, dando­‑lhes a conhecer o projecto e solicitan‑
do que doem o valor de um determinado medicamento
segundo a lista elaborada. Os medicamentos não regu‑
larizados poderão ser assegurados pelo Fundo Cura+.
ROF
: Como está idealizada a sua implementação?
JC:
A implementação do projeto está idealizada em
duas fases: Fase de Projeto­‑piloto e Fase de Expan‑
são. Neste momento, o projeto encontra­‑se na Fase
Projeto­‑piloto em que está previsto o lançamento do
sítio na
Internet
, a constituição da rede de voluntários
e a realização das actividades para angariação de fun‑
dos e estabelecimento de protocolos e parcerias com
diversas entidades. De salientar que inicialmente as ac‑
ções serão desenvolvidas no centro histórico do Porto,
nomeadamente na freguesia da Vitória.
De seguida, durante a Fase de Expansão, está prevista
a implementação da plataforma informática, de forma
a facilitar a articulação do processo comunicativo entre
a IPSS e a farmácia aderente, bem como minimizar os
custos associados, e a extensão do projeto a todo o
Município do Porto e, posteriormente, a nível nacional.
ROF
: De que forma a distinção com o Prémio João
Cordeiro pode contribuir para a concretização desta
ideia?
JC:
A distinção com o Prémio João Cordeiro, destinado
a reconhecer iniciativas de intervenção social nas far‑
mácias, permitiu­‑nos obter financiamento para desen‑
volver e dinamizar o conceito, adquirir reconhecimen‑
to junto dos parceiros e entidades que consideramos
indispensáveis e alcançar estabilidade financeira para
principiar as actividades previstas com os voluntários
e as farmácias aderentes. Outro aspecto bastante po‑
sitivo foi que nos presenteou com a oportunidade de
divulgar e creditar o projecto Cura+.
ROF
: Quais são os próximos passos deste projecto?
JC:
Como referido, brevemente será lançado o sítio na
Internet
, começará a referenciação dos utentes caren‑
ciados e será iniciada a recruta de voluntários para dar‑
mos início às campanhas de angariação de fundos e de
divulgação do projecto, por isso, fiquem atentos!
farmacêutico Cura+, dinamizado por Joana Carvalho e
Sara Baptista, alunas do 4º ano do Mestrado Integrado
de Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da
Universidade do Porto. A Associação Cura+ pretende
minimizar as dificuldades económicas no acesso a medi‑
camentos sujeitos a receita médica, procedendo à sina‑
lização dos utentes beneficiários em parceria com uma
instituição particular de solidariedade social, os quais
serão depois financiados por utentes solidários. O júri
valorizou o impacto social do projecto e a importância
atribuída às farmácias na intervenção social como assis‑
tente imprescindível do sistema de saúde. Por fim, na
categoria de Comunicação Social venceu a reportagem
“Até Voares”, da autoria da jornalista Ana Leal e emiti‑
da no dia 22 de Junho na TVI, que conta a história do
farmacêutico João Almiro e da “Casa das Andorinhas”,
onde o fundador do laboratório farmacêutico Labesfal
e proprietário de uma farmácia em Campo de Besteiros
vive e apoia os mais desfavorecidos e promove a rein‑
serção social de ex‑reclusos e delinquentes.
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