nacionais e estrangeiras, um livro e mais de uma dezena
de capítulos de livros.
Também a sua liderança na colaboração em actividades
de extensão universitária é manifestamente reconheci­
da, sobretudo numa época em que se discutia se essa
actividade era ou não merecedora da dedicação dos
professores universitários. Refira­se que esta activida­
de sempre foi conduzida tendo como objectivo principal
o estreitamento das relações universidade/sociedade.
Permitimo­nos destacar o protocolo estabelecido com
a Purina Portugal, apenas como exemplo major desta
profícua actividade.
A gestão universitária contou também com a sua activa
participação. Foi vice­presidente do Conselho Directivo
e presidente dos Conselhos Pedagógico e Científico da
Faculdade de Farmácia da UC. Mas, indiscutivelmente,
foi o seu cargo de vice­reitora da UC, durante o reitora­
do do Senhor Professor Doutor Fernando Rebelo, que
mais a projectou, interna e externamente, nesta missão
que aos professores universitários também compete.
Indiscutivelmente, a Senhora Professora Doutora Maria
Irene Noronha da Silveira foi uma distinta e destaca­
da professora universitária que marcou indelevelmente
muitas gerações de farmacêuticos. Mas foi tambémuma
professora universitária que sempre se preocupou em
estar próxima da profissão farmacêutica, em conhecê­la
profundamente e em entender as suas necessidades e
anseios. É assim que lhe é confiada a coordenação do
curso de Nutrição e Dietética destinado a farmacêuti­
cos, no âmbito do protocolo entre as Faculdades de Far­
mácia de Lisboa, Coimbra e Porto, a Ordem dos Farma­
cêuticos (OF) e a Associação Nacional das Farmácias.
Tudo isto ainda nos idos anos 80 do século passado,
quando a formação contínua e continuada para profis­
sionais liberais era tido como “não necessária”.
Acresce, ainda e sobretudo, que a Senhora Professo­
ra Doutora Maria Irene Noronha da Silveira sempre se
mostrou disponível para desempenhar importantes car­
gos nos órgãos sociais da Ordem dos Farmacêuticos:
Foi presidente da Secção Regional de Coimbra, entre
199 5 e 2000; presidente da Assembleia Geral, entre
2001 e 2006; E, em 2007, foi eleita bastonária, a pri­
meira mulher a ocupar este cargo na Instituição, a que
acabou por resignar um ano depois, em virtude de lhe
ter sido diagnosticado o cancro da mama que nos trouxe
hoje até aqui. Mas a sociedade também lhe reconheceu
muitos e variados méritos que, apenas a título de exem­
plo, me permito destacar: coordenadora da implemen­
tação do Processo de Bolonha nos cursos de Ciências
Farmacêuticas, assessorando a ministra do Ensino Supe­
rior, Ciência, Tecnologia e Inovação, na área de Farmácia;
primeira presidente do Conselho Científico da Autoridade
para a Segurança Alimentar e Económica; académica nu­
merária da Academia Ibero­Americana de Farmácia.
Senhores Vice­Reitores, Caros Colegas, Minhas Senho­
ra e Meus Senhores,
A Senhora Professora Doutora Maria Irene Noronha da
Silveira teve o raro dom de marcar a vida de muita gen­
te com as suas aulas, o seu exemplo, a sua contagiante
energia, a sua combatividade, a sua disponibilidade, en­
fim, a sua amizade.
A sua família, os muitos amigos, quer estejam ou não
aqui presentes, certamente assim o confirmarão.
A mim ser­me­á difícil esquecer o nosso último telefo­
nema, ocorrido em 31 de Outubro último, quando no
meio da conversa lhe comuniquei que iria estar fora do
País durante duas semanas em Genebra, na Organiza­
ção Mundial de Saúde. Após os seus sempre avisados
conselhos, lá surgiu a solicitação: “Fernando, quando re­
gressar não se esqueça que temos de planear o traba­
lho de Segurança Alimentar com o Jorge Barbosa.”
Era assim. Sempre assim. Com uma vontade intransi­
gente de viver a vida.
Antes de terminar, permitam­me uma palavra para aque­
les que a acompanharam neste último período: para os
médicos, para os enfermeiros, para os farmacêuticos
e demais profissionais de saúde que, num exemplo de
inexcedível dedicação ao serviço público, lhe proporcio­
naram a melhor qualidade de vida possível nas circuns­
tâncias que todos conhecemos.
Finalmente, e recorrendo ainda a Péricles,
“também
me parece que não se deva deixar à palavra de um
só Homem falar do mérito e das virtudes de tão boa
pessoa, nem tão‑pouco acreditar no que se diga, quer
seja um bom ou mau orador, pois é difícil expressar­
‑se com justiça e moderar os elogios ao referir coisas
das quais se pode ter apenas uma ligeira sombra da
verdade.
Porque, se o que ouve foi testemunha dos acontecimen‑
tos e quer bem àquele de quem se fala, sempre acredita
que o elogio é insuficiente em razão do que ele deseja e
do que sabe, ao contrário, ao que o desconhece, parece
que há exagero no que supera a sua própria natureza.”
Mas as últimas palavras deste discurso são para si,
Senhora Professora Doutora Maria Irene Noronha da
Silveira.
Escolhi­as de Sophia de Mello Breyner:
“Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A Força dos teus sonhos é tão forte,
Que tudo renasce a exaltação”.
Coimbra, 1 de Novembro de 2013
Fernando Ramos
Professor da Faculdade de Farmácia
da Universidade de Coimbra
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