questionou o secretário Regional sobre os resultados
do primeiro relatório. Segundo o bastonário, é impor­
tante saber se a experiência tem valido a pena, tendo
em conta os custos e os benefícios alcançados.
Caso não se confirmem as expectativas, do ponto de
vista económico, a OF defende que o sistema deve ser
descontinuado e deve ser implementado um modelo al­
ternativo, em que, nos casos devidamente identificados
pelos médicos, em que haja uma manifesta necessida­
de de o doente iniciar de imediato a terapêutica, seja
dispensada pelos Serviços Farmacêuticos do hospital a
medicação para as primeiras 24/48 horas aos doentes
que recorrerem aos serviços de urgência, usufruindo­se
da capacidade já instalada nos Serviços Farmacêuticos
Hospitalares e da experiência dos farmacêuticos hospi­
talares neste domínio. De acordo com o bastonário, as
vantagens económicas deste modelo são manifestas
em relação ao modelo actualmente existente no Hos­
pital Nélio Mendonça.
Segundo explicou ainda o representante dos farma­
cêuticos portugueses, o combate ao desperdício pas­
sa por uma forte actuação na promoção da adesão
à terapêutica, área em que os farmacêuticos podem
e devem dar importantes contributos, mas também
pela racionalização ao nível do número de embalagens
prescritas e das embalagens dispensadas nas farmá­
cias, pois, segundo explicou, a dispensa deverá ser
feita paulatinamente, em função das necessidades
dos doentes, não devendo ser dispensadas várias em­
balagens em simultâneo. Na sua opinião, a prescrição
electrónica, desmaterializada, poderá dar grandes con­
tributos nesta área.
Um outro assunto a que o bastonário deu atenção na
reunião diz respeito às receitas médicas que estão a
chegar às farmácias sem o campo do contacto telefó­
nico do doente preenchido. Para suprir esta lacuna, os
farmacêuticos, quando precisam de contactar o doen­
te, solicitam os dados aos Centros de Saúde, mas es­
tes têm vindo a negar o fornecimento desta informa­
ção. Na opinião do bastonário, é importante garantir,
para a segurança dos doentes, que esta informação
conste da receita, dado que é fundamental que exista
sempre a possibilidade de os farmacêuticos contacta­
rem os doentes.
A este propósito, Francisco Jardim Ramos comprome­
te-se a diligenciar no sentido da resolução desta difi­
culdade e referiu-se aos progressos já alcançados no
âmbito da prescrição electrónica de medicamentos,
cuja integração na Plataforma de Dados de Saúde está
prevista para o início do ano 2014.
Análises clínicas
Carlos Maurício Barbosa referiu­se aos problemas de­
correntes da internalização compulsiva das análises
clínicas no hospital, recordando que este modelo não
serve os interesses dos cidadãos, nem do Estado. A
OF defende o princípio da liberdade dos cidadãos na
escolha do prestador de serviços de análises clínicas/
patologia clínica. Um utente que recorre aos serviços
de um dado laboratório, seja por razões de confiança,
seja por comodidade, seja por hábito ou seja por razões
de proximidade geográfica, deve poder continuar a fazê­
‑lo livremente. Segundo a OF, impor aos utentes que
se desloquem à unidade hospitalar para a realização de
análises clínicas constitui uma ingerência ilegítima na
esfera da liberdade dos cidadãos.
A reunião entre os dirigentes da OF e o secretário Re­
gional dos Assuntos Sociais terminou com o compro­
misso da realização de encontros regulares para análise
destes e de outros temas relacionados com as áreas de
intervenção dos farmacêuticos.
A OF defendeu o princípio
da liberdade dos cidadãos
na escolha do prestador de
análises clínicas, reafirmando
que a internalização compulsiva
das análise clínicas no hospital
não serve os interesses dos
cidadãos, nem do Estado
O bastonário recordou a
proposta anteriormente
apresentada pela OF, no
sentido de se proceder a uma
análise económica da medida
tomada pelo Governo da Região
Autónoma da Madeira
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