O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos e pro-
fessor da Faculdade de Farmácia da Universidade
do Porto, Carlos Maurício Barbosa, é um dos sete
convidados que integram o painel mensal do baró-
metro “Tomar o Pulso a Portugal” para a área da
saúde. Nas edições de Julho, Agosto e Setembro
desta iniciativa do Jornal de Notícias, os peritos são
Bastonário integra o painel de peritos
Barómetro de Saúde do Jornal de Notícias
chamados a pronunciar-se sobre as reformas no sec-
tor da Saúde levadas a cabo pelo actual Governo.
Carlos Maurício Barbosa realça as principais medi-
das no âmbito da política do medicamento, da sus-
tentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e
a transferência da gestão dos hospitais do SNS para
as Misericórdias.
Barómetro de 20 de Julho
O ministro que melhor
cumpriu a
troika
J
ornal de Notícias (JN):
O ministro da Saúde tem
condições políticas para continuar a fazer reformas
dolorosas no sector?
Carlos Maurício Barbosa (CMB):
As reformas da
Saúde têm de prosseguir, visando conjugar o bem-
-estar das famílias, que é um valor superior, com a
racionalidade do sistema e as parcas possibilidades
das finanças públicas. Em particular, já o disse aqui,
é cada vez mais imperioso avançar com a reforma
hospitalar, reorganizando a rede de hospitais e os
respectivos serviços.
JN:
Os enfermeiros exigem ser equiparados aos mé-
dicos na excepção à regra das 40 horas de trabalho
na Função Pública. Têm razão?
CMB:
Não conheço bem o assunto. Como princípio
defendo que as excepções à regra devem ser pou-
cas, justas, compreensíveis e justificadas.
Barómetro de 17 de Agosto
Manter ou não secretos os
ensaios farmacêuticos
JN:
Ao fim de dois anos de Governo, qual a principal
mudança na Saúde?
Carlos Maurício Barbosa (CMB):
A preocupação em
garantir a sustentabilidade financeira do SNS, que,
no entanto, não tem sido acompanhada por homólo-
ga preocupação em relação aos operadores, em parti-
cular os de pequena dimensão, como as farmácias.
JN:
Que personalidade/medida destaca a nível na-
cional ou internacional?
CMB:
Política do medicamento: prescrição obrigatória
por DCI, comissões de farmácia e terapêutica a nível
nacional e regional, formulários de medicamentos e
normas para a sua utilização, medicamentos não su-
jeitos a receita de dispensa exclusiva nas farmácias.
Barómetro de 21 de Setembro
Misericórdias com hospitais
públicos sem concurso?
JN:
Faz sentido reforçar a percentagem de médicos
em regime de exclusividade no Serviço Nacional de
Saúde?
Carlos Maurício Barbosa (CMB):
Retomo esta ideia.
Mais do que a exclusividade dos médicos do SNS, o
que é essencial é que haja transparência na relação
de trabalho e que ambas as partes cumpram escru-
pulosamente as suas obrigações.
JN:
A transferência de alguns hospitais para a gestão
das Misericórdias, desde que estas reduzam os cus-
tos para o Estado em 25%, é positiva ou apresenta
riscos?
CMB:
Riscos, há sempre. Acho que vale a pena ten-
tar. O Sistema de Saúde deve garantir à população
os cuidados hospitalares, independentemente dos
modelos adotados. O Estado deve exercer com rigor
as funções de regulador e supervisor, fixando as re-
gras para públicos e privados.
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