BOLETIM CIM
ROF 108 Jul/Set 2013
Os erros de medicação e as reações adversas aos medica‑
mentos constituem um grave problema de saúde pública com
importantes repercussões humanas e económicas, além de
que geram desconfiança dos doentes no sistema de saúde.
As consequências clínicas dos erros de medicação em am‑
biente hospitalar são, provavelmente, mais significativas que
em meio ambulatório, devido à complexidade e à agressivida‑
de dos procedimentos terapêuticos nos hospitais.
Medicamentos potencialmente perigosos (MPP) ou medica‑
mentos de alto risco (
high-alert medications
) são aqueles
que quando utilizados incorretamente apresentam um risco
acrescido, ou uma maior probabilidade, de causar danos gra‑
ves ou mesmo mortais a doentes. Isto não significa que os
erros com estes medicamentos sejam mais frequentes, mas
que, se ocorrerem, as consequências para os doentes serão
mais graves. O
Institute for Safe Medication Practices
(ISMP)
e outras organizações dedicadas à segurança do doente in‑
sistem na necessidade de estabelecer procedimentos que re‑
duzam o risco de ocorrência de erros quando se manipulam
estes medicamentos.
1­‑4
Os princípios gerais para a prevenção de erros de medicação
com os MPP fundamentam‑se nos seguintes procedimen‑
tos:
a) Reduzir a possibilidade de ocorrência dos erros;
b) Tornar visíveis os erros;
c) Minimizar as consequências dos erros.
Assim, para melhorar a segurança do uso dos MPP é
recomendável:
1­‑7
a) Aplicar medidas que dificultem ou que tornem impossível
a ocorrência de erros;
b) Utilizar protocolos e folhas pré‑impressas;
c) Identificar os MPP disponíveis na instituição e definir cir‑
cuitos para a sua utilização segura;
d) Centralizar os processos em que seja mais provável a
ocorrência de erros;
e) Padronizar ou uniformizar a sua prescrição, armazenamen‑
to, preparação e administração;
f) Recorrer à prescrição eletrónica e proibir o uso de abrevia‑
turas nas prescrições;
g) Estabelecer doses máximas e padronizar a dosificação;
h) Reduzir o número de opções, limitando o número de apre‑
sentações e de concentrações disponíveis, particularmen‑
te para heparina, morfina e insulina;
i) Aumentar o acesso à informação acerca destes medica‑
mentos;
j) Limitar o acesso aos MPP;
k) Usar etiquetas sinalizadoras e alertas automatizados;
l) Centralizar a preparação das misturas intravenosas nos
serviços farmacêuticos;
m) Implantar técnicas de dupla verificação na preparação e
administração destes medicamentos;
n) Proceder à validação e dispensa em dose unitária;
o) Informar os doentes em relação aos possíveis erros que
podem ocorrer com os MPP.
Os danos mais comuns causados nos doentes por erros de
administração incluem hipotensão, hemorragia, hipoglicémia,
delírio, letargia e bradicardia.
8
No entanto, podem também
ocorrer efeitos adversos nos profissionais de saúde por ex‑
posição ocupacional (aguda ou crónica) a MPP durante as vá‑
rias etapas do circuito destes medicamentos.
9,1­0
O
National
Institute for Occupational Safety and Health
(NIOSH) é uma
instituição que se dedica à prevenção da exposição ocupacio‑
nal a medicamentos antineoplásicos e outros MPP nos servi‑
ços de saúde.
1­0
Para evitar esta exposição ocupacional é fun‑
damental a utilização de equipamento de proteção coletiva e
individual, para além de procedimentos apropriados.
1­1­
MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE PERIGOSOS
DEVIDO À POSSIBILIDADE DE EVENTOS ADVERSOS
CAuSADOS POR ERROS DE ADMINISTRAÇÃO
– ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E PRECAuÇÕES
I)
Adrenérgicos IV
(ex.: adrenalina, dobutamina, dopamina,
efedrina, isoprenalina, noradrenalina),
anestésicos gerais
administrados por via inalatória e IV
(ex.: cetamina, des‑
flurano, etomidato, isoflurano, propofol, sevoflurano),
anta‑
gonistas adrenérgicos IV
(ex.: esmolol, propranolol),
antiar‑
rítmicos IV
(ex.: adenosina, amiodarona, atropina, esmolol,
flecainida, lidocaína, propafenona, vernacalant),
inotrópicos
IV
(ex.: amrinona, digoxina, inosina, levocarnitina, levossi‑
mendano, milrinona),
meios de contraste IV
(ex.: produtos
iodados),
medicamentos IV para indução de sedação mode‑
rada
(ex.: dexmedetomidina, midazolam) – Padronizar con‑
centrações para todas as administrações IV e monitorizar
apertadamente o doente. No caso dos gases medicinais (ex.:
protóxido de azoto, xénon) é, ainda, necessário estabelecer
procedimentos específicos para o seu manuseamento segu‑
ro e supervisão.
1­‑3,1­2‑1­4
II)
Anticoagulantes
(ex.: heparina de baixo peso molecular,
heparina não fracionada, varfarina),
antiagregantes plaque‑
tários IV
(ex.: abciximab, alprostadilo, eptifibatido, tirofiba‑
MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE PERIGOSOS EM
MEIO HOSPITALAR
1...,49,50,51,52,53,54,55,56,57,58 60,61,62,63,64,65,66,67,68,69,...120